Chuveiro elétrico: uma invenção brasileira
O chuveiro elétrico é usado somente no Brasil e em alguns poucos países não desenvolvidos, na maioria países africanos. Na maioria dos países as casas possuem algum tipo de aquecimento central a gás ou elétrico. O chuveiro elétrico foi uma invenção brasileira, justamente feita pra suprir a falta de gás encanado na maioria das cidades. Hoje, além de sermos os maiores usuários, somos o maior exportador de chuveiros. Aparentemente, o que pode parecer positivo, mas em alguns aspectos não é, principalmente quando se fala em segurança.
Tenho trabalhado com soluções mais eficientes para o chuveiro elétrico, que apresenta-se como um dos vilões do consumo em uma residência, predominantemente em famílias com menor poder aquisitivo, e aí identifico essa nossa peculiaridade.
Estrangeiros que circulam pelo Brasil, costumam ficar assustados com a primeira vez na vida, em que usam um chuveiro elétrico, já que acharam perigoso “um chuveiro cheio de fios”. Imagino qual seria a reação de alguém do Reino Unido, pois o pais é mais rígido que os EUA na parte de segurança em banheiros [banheiros britânicos tem o interruptor sempre do lado de fora ou as vezes uma cordinha pra ascender a luz, bem como somente uma tomada com limitação de corrente, o que permite somente conectar barbeadores ou carregadores de celular, já que eles tem muito medo que alguém leve choque devido à grande umidade].
A única tomada disponível nos banheiros do Reino Unido, tem a mensagem: “shavers only” ou “somente barbeadores”, já que eles consideram perigoso demais uma tomada comum em banheiros. Como estas tem corrente limitada [que não permite conectar secadores de cabelo ou “chapinhas”], reduz o perigo de choque.
O chuveiro elétrico é uma invenção brasileira. Surgiu em decorrência da falta de infraestrutura do país, que nos anos 1930 – ao contrário da Europa – as grandes cidades não possuíam redes de gás para o aquecimento da água. Precários e fabricados quase artesanalmente até os anos 40, o grande salto aconteceu quando o sistema foi aperfeiçoado nos anos 1940 e posteriormente disseminado pela Lorenzetti, tornando-se praticamente o mesmo utilizado até hoje.
Contribuíram para isto, um monopólio, a presença estatal no mercado e o clima: um grande fabricante de chuveiros e seu posicionamento incentivador pró-chuveiros; o fato da distribuição de gás, até pouco tempo, ser um domínio estatal – ineficiente – [No Rio Grande do Sul, exemplo, a SulGás que foi privatizada, recentemente] e o fato de que com exceção do Sul as temperaturas de entrada da água, não requererem um pré-aquecimento, como na Europa.
Assim, ficamos relegados a um grande vilão do consumo elétrico residencial e um equipamento que pode oferecer muitos riscos caso instalado ou manusueado de maneira incorreta.
Autor: Odair Detters – https://br.linkedin.com/in/odair-deters?trk=pulse-article_main-author-card
